Democratas assumem Congresso dos EUA após midterms e ampliam pressão sobre Trump
Partido Democrata conquistou maioria na Câmara e no Senado; resultado teve repercussão no Brasil, no exterior e em debates comerciais.

O Partido Democrata conquistou a maioria da Câmara dos Representantes e do Senado dos Estados Unidos nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), segundo o G1, impondo uma derrota política ao presidente Donald Trump, do Partido Republicano. O resultado foi confirmado na madrugada desta quarta-feira (4), de acordo com o G1, e dá aos democratas o controle da pauta legislativa em Washington pelos próximos dois anos.
Segundo o The Guardian, os democratas viraram sete cadeiras no Senado, em Kansas, Iowa, Texas, Maine, Ohio, Carolina do Norte e Carolina do Sul. O jornal britânico informou ainda que o resultado foi tratado como uma “blue wave” e representou um revés para a agenda de Trump. Em outro texto, o The Guardian afirmou que os democratas venceram cadeiras no Senado no Kansas pela primeira vez desde 1932, no Texas desde 1988 e na Carolina do Sul desde 1998.
Trump e a capa da Time
A revista Time publicou uma capa com Trump com a boca coberta por um adesivo após a derrota republicana no Congresso, segundo o G1. A reportagem lembrou que a Constituição dos Estados Unidos impede Trump de disputar a Presidência novamente em 2028, porque a 22ª Emenda proíbe que uma mesma pessoa seja eleita presidente mais de duas vezes.
Ainda segundo o G1, Trump venceu as eleições de 2016 e 2024 e está em seu segundo mandato. Apesar da restrição constitucional, o presidente afirmou em março de 2025 à CNBC que pretendia buscar um terceiro mandato. Em agosto, segundo o G1, ele mudou o tom e disse que provavelmente não voltaria a concorrer porque seria barrado pela Constituição. Após as midterms, Trump minimizou o resultado ao dizer que não estava na cédula, informou o G1.
Repercussão no Brasil e no exterior
No Brasil, políticos comentaram o resultado nesta quarta-feira, segundo o G1. O Palácio do Planalto não divulgou pronunciamento oficial, e, até a última atualização da reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin não haviam se manifestado. Integrantes da base governista e ministros comemoraram a virada legislativa; o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, escreveu no X que o resultado indicava uma “mudança de rumo” no mundo, segundo o G1.
Líderes estrangeiros também reagiram, segundo a Reuters, em texto publicado pelo InfoMoney. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou no X que os eleitores norte-americanos votaram contra políticas que, na avaliação dele, empobrecem as pessoas, além de rejeitarem ódio, sexismo, negação das mudanças climáticas e privilégios das elites. O primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Stoere, disse à Reuters que o resultado foi um forte sinal político de mudança entre eleitores dos Estados Unidos e citou maior proximidade com vozes norte-americanas em temas climáticos, ambientais, de política externa e de ajuda ao desenvolvimento.
No Irã, a eleição também repercutiu, segundo o The Guardian. O jornal informou que foram exibidos em Teerã um grande outdoor e faixas na praça Enqelab, com mensagem em inglês contra Trump e uma imagem do presidente dos Estados Unidos atrás das grades. Segundo o The Guardian, a reação ocorreu na semana em que a liderança iraniana marca o aniversário da tomada da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, em 1979.
Comércio e próximos passos
A derrota republicana pode afetar negociações comerciais dos Estados Unidos, segundo a Reuters, em texto publicado pelo InfoMoney. Analistas ouvidos pela agência afirmaram que países podem se sentir encorajados a resistir a políticas tarifárias de Trump e a adiar compromissos de investimento assumidos para evitar tarifas. O InfoMoney informou que Japão e Coreia do Sul haviam prometido, respectivamente, US$ 550 bilhões e US$ 350 bilhões em investimentos nos Estados Unidos em acordos firmados com Trump.
Segundo o InfoMoney, a próxima grande viagem internacional de Trump será à Ásia no fim deste mês, com previsão de encontros com líderes do Sudeste Asiático nas Filipinas e participação no Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico, a Apec, em Shenzhen, na China. Analistas citados pela Reuters avaliaram que países como Índia, Coreia do Sul e China podem recalibrar suas estratégias, embora outros tenham alertado que Trump ainda pode pressionar aliados e usar poderes executivos na política tarifária.





