Eleições de meio de mandato nos EUA definem controle do Congresso
Americanos votam nesta terça-feira em disputa vista como teste para a agenda de Donald Trump, segundo The Guardian e NYT.

Eleitores dos Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato que vão definir o controle do Congresso, segundo The Guardian e The New York Times. A disputa é tratada pelas duas publicações como um referendo sobre a presidência e a agenda de Donald Trump. Segundo o G1, a eleição renova a Câmara dos Representantes e um terço do Senado.
Segundo The Guardian, as urnas foram abertas após 6h30 na Carolina do Norte, em Ohio e na Virgínia Ocidental. Na Carolina do Norte, o Conselho Eleitoral estadual decidiu estender a votação em dois locais nos condados de Columbus e Lenoir, informou a CNN Brasil. A ampliação ocorreu após problemas em equipamentos causarem atrasos, e nenhum resultado do estado poderá ser divulgado publicamente antes das 22h15, no horário de Brasília, segundo a CNN Brasil.
Temas da campanha
A economia aparece como a principal preocupação dos eleitores, segundo The Guardian. A publicação afirma que, apesar da promessa de campanha de Trump em 2024 de enfrentar questões de custo de vida, o tema segue no centro da disputa. A guerra contra o regime de Teerã também pesa no debate, segundo The Guardian, que relaciona o conflito ao aumento de preocupações econômicas após o fechamento do estreito de Hormuz pelo Irã, medida que elevou os preços da gasolina para motoristas americanos.
A CNN Brasil informou que, segundo Andrei Roman, cientista político e CEO da AtlasIntel, o custo de vida e a mobilização do eleitorado latino são fatores centrais nas eleições. Roman disse à CNN Brasil que a guerra no Irã elevou o preço da gasolina e ampliou pressões inflacionárias. Ele também afirmou que políticas de deportação e a atuação do ICE estão mobilizando eleitores latinos em nível sem precedentes. Segundo estimativas da AtlasIntel citadas pela CNN Brasil, cerca de um terço da vantagem democrata viria dessa ativação.
Disputa no Congresso
A última rodada de pesquisas da AtlasIntel mostra candidatos democratas à frente em 10 estados considerados cruciais para o controle do Senado, segundo a CNN Brasil. O levantamento também aponta que a aprovação de Trump chegou a 40,3% nas eleições de meio de mandato. Roman afirmou à CNN Brasil que eleitores independentes são o grupo mais importante a observar nesse tipo de disputa, com destaque para mulheres dos subúrbios e para a classe média americana. Ele citou Carolina do Norte, Michigan, Washington e Pensilvânia como estados pêndulo relevantes.
Caso os democratas conquistem a Câmara, o Senado ou as duas Casas, a relação de forças em Washington mudará na reta final do segundo mandato de Trump, segundo a CNN Brasil. A emissora informou que o partido poderia ampliar a fiscalização do governo, influenciar decisões sobre gastos públicos e definir prioridades legislativas. Hakeem Jeffries, que assumiria a presidência da Câmara se os democratas obtiverem maioria, apontou como objetivos encerrar a guerra para reduzir preços de energia, reverter cortes no Medicaid e renovar subsídios ampliados do Obamacare, além de revogar tarifas comerciais impostas por Trump, segundo a CNN Brasil.
A CNN Brasil também informou que Trump indicou, na semana passada, que pretende usar o poder de veto contra propostas democratas. Segundo a emissora, são necessários 67 votos no Senado para derrubar um veto presidencial, número superior aos 60 exigidos para aprovar projetos relevantes. Ainda assim, a CNN Brasil citou que acordos entre partidos podem ocorrer, como no primeiro mandato de Trump, quando republicanos perderam a Câmara e houve aprovação do “First Step Act”.
Votação e fiscalização
O ICE e o Departamento de Segurança Interna divulgaram prisões de estrangeiros acusados de votar ou de se registrar para votar em eleições anteriores, informou a CNN Brasil. A emissora destacou que fraude eleitoral, incluindo voto de não cidadãos, é extremamente rara, embora o governo Trump e o DHS afirmem que a prática é generalizada. O ICE publicou no X que quem votar ilegalmente será localizado, preso e processado, segundo a CNN Brasil. A emissora também informou que números iniciais sobre milhares de não cidadãos votando em eleições passadas não se sustentaram após análise mais detalhada.
Segundo o G1, os astronautas da Nasa Anil Menon, Jessica Watkins e Luke Delaney votaram nas midterms a partir do espaço, durante uma missão espacial. Menon disse, em vídeo publicado nas redes sociais, que sua cabine-leito funcionou como cabine de votação e que a cédula eletrônica foi enviada ao Condado de Harris, no Texas, informou o G1. De acordo com a Nasa, segundo o G1, astronautas em missão espacial votam em eleições dos EUA desde 1997, quando o Congresso do Texas aprovou o envio de cédulas a partir do espaço.





