Economia

Tesouro anuncia nova recompra de títulos após oscilações no mercado

Medida inclui NTN-Bs com vencimentos entre 2030 e 2045; Ibovespa tenta se estabilizar após queda de 13,88%, segundo o G1.

Painel da bolsa mostra oscilações do Ibovespa e do dólar após recompra do Tesouro
Ilustração gerada por IA

O Tesouro Nacional anunciou nesta terça-feira (27) uma nova recompra de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), segundo a Agência Brasil. A operação envolverá papéis com vencimentos em 15/08/2030, 15/05/2035, 15/08/2040 e 15/05/2045, e o edital com as condições do leilão será publicado no site da instituição, informou a Agência Brasil.

Segundo a Agência Brasil, a medida foi autorizada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, que falou com jornalistas em Brasília. Durigan afirmou, de acordo com a agência, que a recompra seria anunciada quando houvesse condições e necessidade de intervenção do governo federal para lidar com oscilações no mercado.

Medidas do Tesouro

Ao comunicar a preparação do novo leilão de recompra, a Secretaria do Tesouro também cancelou o próximo leilão de Letras Financeiras do Tesouro (LFT), segundo a Agência Brasil. A agência informou que as LFTs, conhecidas como Tesouro Selic, são títulos públicos de renda fixa indexados à Taxa Selic, a taxa básica de juros da economia.

Na segunda-feira (26), um dia após o segundo turno das eleições gerais, o Tesouro Nacional recomprou mais de R$ 14,8 bilhões em títulos públicos, segundo a Agência Brasil. A agência informou que a disputa à Presidência da República foi vencida pelo candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva. Durigan atribuiu as oscilações daquele dia a ajustes de expectativas após o resultado eleitoral e disse esperar um mercado sem grandes oscilações, segundo a Agência Brasil.

Reação dos mercados

O G1 informou que, na segunda-feira (26), o Ibovespa recuou mais de 10% nos primeiros minutos de negociação, o que acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente os negócios na bolsa em quedas acentuadas. Ao fim do pregão, segundo o G1, o principal índice da B3 caiu 13,88%, aos 176.608 pontos, maior queda desde março de 2020. O dólar subiu 8,21% e fechou a R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999, informou o G1.

Nesta terça-feira, perto das 15h30, o Ibovespa caía 0,44%, aos 175.833 pontos, enquanto o dólar recuava 1,23%, cotado a R$ 5,3362, segundo o G1. A moeda chegou à mínima de R$ 5,3080 no dia, informou o portal. O G1 também apontou que investidores e empresários cobravam novos sinais de ajuste fiscal do governo, enquanto a decisão sobre juros nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (28), as eleições em Israel e os preços do petróleo estavam no radar externo.

Segundo o G1, a turbulência também afetou as fortunas dos brasileiros que aparecem entre as 500 pessoas mais ricas do mundo. Com base no Índice de Bilionários da Bloomberg, o portal informou que os 10 brasileiros desse grupo perderam juntos US$ 14 bilhões, cerca de R$ 75,6 bilhões, em um dia, a maior perda diária conjunta desde o início do levantamento, em 2012. Ainda segundo o G1, Magazine Luiza caiu 58,23%, Vamos recuou 56,79% e Hapvida perdeu 54,93% na segunda-feira.

Desdobramentos

O InfoMoney informou que, nesta terça-feira, o Ibovespa operava na faixa de 175,8 mil pontos, o dólar comercial caía para perto de R$ 5,33 e os juros futuros recuavam, em movimento associado à queda do dólar e à nova intervenção do Tesouro em leilões. Segundo o InfoMoney, a bolsa perdeu R$ 734 bilhões na sessão pós-eleições. O portal também informou que as ações do Banco do Brasil tentavam se estabilizar após queda de 29,33% no pregão anterior, quando chegaram ao menor nível desde 2023.

O Money Times informou que, em relatório a clientes, analistas do Itaú BBA avaliaram que a queda da bolsa abriu espaço para oportunidades de compra de ações brasileiras. Segundo o Money Times, o banco calculou que o múltiplo de preço sobre lucro do Ibovespa caiu para 8,1 vezes, abaixo da média histórica de dez vezes; sem Petrobras e Vale, o índice negociava a 9,0 vezes, ante média histórica de 11,9 vezes. Ainda de acordo com o Money Times, 11 dos 16 setores analisados estavam com desconto e 64,7% das empresas do Ibovespa negociavam abaixo da média dos últimos cinco anos.

Leia também