Economia

Copom mantém Selic em 13,75% e mercado vê pausa nos cortes até 2027

Banco Central interrompeu sequência de cinco cortes; inflação mais alta, risco fiscal e cenário externo pesaram na decisão.

Prédio do Banco Central em dia de decisão do Copom sobre a Selic

O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4), por unanimidade, manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, segundo CNN Brasil, Poder360, InfoMoney e Money Times. A decisão interrompeu uma sequência de cinco cortes consecutivos, iniciada em março, de acordo com o Poder360; o G1 informou que a taxa foi mantida após cinco reduções seguidas.

Segundo a CNN Brasil, o Copom elevou suas estimativas de inflação em todo o horizonte observado. A projeção do Banco Central para 2026 passou de 5,2% para 5,6%. Para 2027, subiu de 3,9% para 4,7%. No horizonte considerado relevante para a política monetária, o segundo trimestre de 2028, a estimativa foi ajustada de 3,2% para 3,5%.

No comunicado citado pela CNN Brasil, o colegiado apontou aumento das incertezas, expectativas de inflação mais altas, Selic em patamar restritivo e desaceleração mais forte da atividade econômica. Segundo a emissora, o Banco Central afirmou que esse conjunto forma um cenário que exige cautela na condução da política monetária.

Reação do mercado

Economistas ouvidos pelo Poder360 avaliam que a Selic pode permanecer em 13,75% ao ano até o início de 2027. Segundo o portal, analistas apontam a piora da inflação, as incertezas fiscais e o ambiente internacional como fatores que reduziram o espaço para novos cortes, mesmo com sinais de desaceleração da economia brasileira.

O Poder360 informou que Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, vê na retirada da referência à magnitude do ciclo de calibração um sinal de que a pausa pode se prolongar. Já Felipe Rodrigo de Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos, também projeta manutenção da taxa em dezembro. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, avaliou o comunicado como neutro e disse, segundo o portal, que o Banco Central deve manter juros elevados por mais tempo.

Segundo o InfoMoney, especialistas relacionaram a decisão à piora das expectativas de inflação e às incertezas fiscais, além de um ambiente externo adverso com conflitos no Oriente Médio pressionando o petróleo, conforme o comunicado. O site informou que a XP vê a Selic mantida no patamar atual sem perspectiva imediata de alta, enquanto parte do mercado projeta juros em 13,75% até o fim de 2027. O Metrópoles informou que, após a decisão, o juro real do Brasil chegou a 9,49% ao ano, o maior do mundo, 1,72 ponto percentual acima do da Turquia.

Câmbio e Bolsa

Antes do anúncio do Copom, o dólar fechou em queda nesta quarta-feira, segundo a Agência Brasil. A moeda à vista encerrou a R$ 5,451, recuo de 0,64%, após três pregões consecutivos de alta. A Agência Brasil informou que o movimento acompanhou o enfraquecimento global da moeda norte-americana depois de os democratas conquistarem maioria no Senado e na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

Segundo a Agência Brasil, o Ibovespa subiu 1,23%, para 167.563,47 pontos, interrompendo seis quedas seguidas. O índice chegou a 167.986,37 pontos na máxima do dia. A agência informou que o desempenho acompanhou o ambiente externo mais favorável a ativos de risco, enquanto ações da Petrobras recuaram com a queda do petróleo Brent, que fechou a US$ 94,62 por barril, baixa de 8,67%. O G1 também registrou que a vitória democrata redefiniu o poder político nos Estados Unidos.

Leia também