Binance retoma saques após ataque hacker de US$ 6,3 bilhões
Corretora diz ter recomposto a maior parte dos ativos roubados; FBI atribui o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor.

A Binance retomou neste domingo (1º.nov.2026) saques de clientes após um ataque hacker que retirou US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da plataforma, segundo InfoMoney, Poder360, Olhar Digital, BBC, Al Jazeera e The Guardian. A liberação começou de forma gradual, com Bitcoin, Ether e stablecoins entre os primeiros ativos reabertos, enquanto a empresa tenta recompor os valores e reforçar verificações de segurança.
Retomada em etapas
Segundo o InfoMoney, a Binance reabriu os saques de Bitcoin depois das 14h no horário de Cingapura, mais de dois dias após a suspensão provocada pela invasão. A primeira fase incluiu 15 tokens, entre eles Ether, USDT, da Tether, e USDC, da Circle Internet Group Inc. De acordo com a empresa, citada pelo InfoMoney, a volta está sendo feita por prioridade de demanda dos usuários, com checagens de estabilidade e segurança antes da reabertura de cada ativo e rede.
O Poder360 informou que a corretora retomou saques de bitcoin, ether e algumas stablecoins neste domingo. Já o Olhar Digital afirmou que a primeira fase também contemplou XRP e Dogecoin, e que saques de Bitcoin foram restabelecidos pouco depois das 6h no horário de Brasília. Segundo o InfoMoney, saques em 12 redes de blockchain, incluindo Ethereum, BNB Smart Chain, XRP e Base, foram retomados por volta das 19h30, conforme a Binance.
Há divergência entre as fontes sobre a parcela já coberta pela Binance. A BBC e o The Guardian informaram que a empresa cobriu 90% das perdas. O InfoMoney disse que a Binance afirmou ter substituído cerca de 90% das criptomoedas roubadas com tesouro corporativo, fundos de emergência e fundos de seguro. O Olhar Digital informou cobertura de aproximadamente 95%, enquanto o Poder360 disse que a corretora repôs US$ 6 bilhões dos ativos roubados. Segundo a Binance, citada pelo InfoMoney, as perdas não serão repassadas aos usuários.
Investigação e atribuição
O FBI atribuiu o ataque ao TraderTraitor, grupo hacker norte-coreano patrocinado pelo Estado, segundo InfoMoney, Poder360, Olhar Digital, BBC, Al Jazeera e The Guardian. O InfoMoney informou que a mesma unidade foi responsabilizada pelo FBI por um roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão contra a Bybit em 2025. Empresas de inteligência de blockchain, como TRM Labs, Chainalysis e Elliptic, também apontaram hackers norte-coreanos como responsáveis, segundo o InfoMoney; o Poder360 citou TRM Labs e Chainalysis.
Segundo o Poder360, a Binance disse na noite de quinta-feira (29.out) que uma investigação inicial indicou que a invasão pode ter começado com um laptop hackeado de um engenheiro, o que teria permitido acesso a um sistema e saques não autorizados. Em comunicado de sexta-feira (30.out), segundo o Poder360, a empresa afirmou ter identificado outros pontos de violação e classificou o episódio como um ataque complexo. O Olhar Digital informou, com base em declaração do co-CEO Richard Teng, que os criminosos usaram um laptop comprometido e software malicioso para apagar evidências.
A TRM Labs afirmou, segundo o Poder360, que os invasores miraram carteiras da Binance em 10 blockchains e transferiram a maior parte dos fundos em cerca de 20 minutos. O InfoMoney também informou que os recursos retirados eram uma combinação das maiores criptomoedas em 10 blockchains, incluindo Bitcoin e Ethereum. Segundo o Olhar Digital, investigadores do FBI identificaram integrantes do grupo convertendo ativos roubados em Ether e esperam tentativas de lavagem usando tecnologias ligadas a transações com criptomoedas.
Impacto e próximos passos
Segundo o InfoMoney, cerca de US$ 3 bilhões em ativos afetados haviam sido congelados até sexta-feira, mas isso não significa recuperação dos valores. O Olhar Digital informou que a Binance separou aproximadamente US$ 6,34 bilhões de recursos próprios para cobrir perdas, com uso do Secure Asset Fund for Users, do fundo de seguro de operações futuras e do caixa corporativo. Yi He, co-CEO da Binance, afirmou segundo o Olhar Digital que metade do SAFU seria usada e que a empresa recomporia o fundo até voltar a cerca de US$ 1 bilhão.
O impacto no mercado parecia limitado neste domingo, segundo o InfoMoney, com a maioria das principais criptomoedas variando menos de 1%. O Bitcoin era negociado em torno de US$ 78 mil, cerca de 5% abaixo da máxima registrada na quinta-feira antes do ataque, informou o InfoMoney. Donald Trump afirmou no sábado (31), segundo o InfoMoney e o Olhar Digital, que os Estados Unidos ainda avaliavam o caso e disse que não sabia se a Coreia do Norte estava envolvida. O Olhar Digital informou que a Coreia do Norte nega há anos usar unidades cibernéticas estatais para espionagem e roubo financeiro.





