Política

MPT registra alta de denúncias de assédio eleitoral no trabalho em 2026

Agência Brasil informa 1.937 denúncias até segunda; G1 aponta 2.009 no mesmo dia. Casos geraram ações, liminares e TACs.

Denúncias de assédio eleitoral no trabalho registradas pelo MPT em 2026
Ilustração gerada por IA

O Ministério Público do Trabalho recebeu quase 2 mil denúncias de assédio eleitoral no trabalho no processo eleitoral de 2026, mas há divergência nos números divulgados. Segundo a Agência Brasil, foram 1.937 registros até segunda-feira (26), dia seguinte ao segundo turno; o G1 informou 2.009 denúncias até as 17h do mesmo dia. Em ambos os levantamentos, 946 queixas ocorreram entre o primeiro e o segundo turnos.

Segundo a Agência Brasil, o assédio eleitoral no trabalho é crime e ocorre quando alguém se vale de uma posição de poder no ambiente profissional para tentar influenciar, pressionar ou constranger trabalhadores a votar, não votar ou apoiar candidato, partido ou posição política. O G1 informou que a prática também pode envolver ameaças de perda de emprego, redução salarial ou rebaixamento, além de ações políticas no local de trabalho, como distribuição de material de campanha e eventos.

Números e medidas

De acordo com o G1, outubro concentrou 1.190 denúncias, alta de 115,6% em relação a setembro, quando houve 552 relatos. O volume de outubro representa 59,2% de todas as denúncias recebidas pelo MPT no ano até aquele momento, com média de cerca de 46 registros por dia nos primeiros 26 dias do mês. São Paulo lidera, com 350 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. O G1 informou ainda que o total de 2026 estava abaixo das mais de 3,3 mil denúncias registradas nas eleições de 2022.

A Agência Brasil informou que o MPT manteve equipes de plantão durante toda a campanha para atuar em casos urgentes e que a maioria das denúncias se relaciona à disputa presidencial. Segundo a agência, o órgão ajuizou 59 ações civis públicas, obteve 52 liminares para proteger o voto livre de trabalhadores e firmou 53 termos de ajuste de conduta com empregadores que se comprometeram a não interferir na escolha eleitoral de funcionários.

Casos nos estados

Na Bahia, segundo o G1, o MPT recebeu 79 denúncias de assédio eleitoral em 2026, ajuizou seis ações, obteve liminares em todas elas, firmou cinco TACs e expediu 45 recomendações. O órgão informou ao G1 que mantém 61 procedimentos ativos e que novas denúncias continuam chegando. Entre os casos estão ações contra as redes Total Atacado e Rede Mix, em Salvador e região metropolitana, por suspeitas de restrição ao direito de voto e constrangimento político. Segundo a Agência Brasil, a Total Atacado foi obrigada por liminar a aplicar escala que garantisse o voto de empregados de lojas em Salvador e Lauro de Freitas, após denúncias de que trabalhadores não foram liberados no primeiro turno.

Em Goiás, segundo a Agência Brasil, a Justiça do Trabalho concedeu liminar contra uma iniciativa do dono do Frigorífico Goiás, que havia divulgado vídeo oferecendo viagem a Caldas Novas, com despesas pagas, para mil apoiadores do então candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de impedir que votassem. A decisão previu multa de R$ 100 mil por trabalhador encontrado nessa situação. Na Paraíba, o G1 informou que o TRT-13 recebeu denúncias após o segundo turno sobre ameaças e demissões ligadas a divergências políticas; a presidente do tribunal, Hermenegilda Leite, chamou o quadro de "intolerável e inaceitável". A Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao MTE, alertou ao G1 que ameaças por preferência eleitoral podem levar à autuação.

Publicações e violência política

No Rio de Janeiro, segundo CNN Brasil e G1, a Justiça do Trabalho atendeu parcialmente a pedido do MPT-RJ e proibiu a deputada estadual Índia Armelau (PL-RJ) de incentivar empregadores a discriminar, demitir ou perseguir trabalhadores por convicções políticas. A decisão, do juiz Leonardo Saggese Fonseca, também determinou a retirada das publicações que motivaram o processo, com multa diária de R$ 5 mil após prazo de 48 horas em caso de descumprimento, segundo a CNN. A Agência Brasil informou que a parlamentar, eleita com 248.504 votos, havia sugerido nas redes que empresários verificassem se funcionários apoiavam Lula. A CNN informou que ela disse não defender "demissão em massa" e que apoiava a campanha "Não Contrate Quem Odeia Empresários". No Paraná, segundo a Agência Brasil, a deputada estadual eleita Jéssica Ramos Moreno (PL) também publicou mensagem sugerindo demissão de trabalhadores que votassem no PT.

O G1 também informou que a reta final das eleições teve denúncias de violência política em diferentes regiões, envolvendo agressões físicas, ataques com objetos, disparos e crime racial. Segundo o G1, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar o ataque a uma vereadora do PT em Montes Claros (MG), durante uma carreata pró-Lula no sábado (24). Ainda segundo o G1, o carro de som foi atingido por garrafas de vidro, tijolos e outros objetos; a vereadora foi ferida no rosto, atendida pelo Samu, levada à Santa Casa e recebeu alta. Outras três pessoas relataram agressões, ameaças ou danos, segundo o G1. A reportagem também citou, sem detalhar no trecho fornecido, a morte de um engenheiro em Santos, segundo o G1.

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