Flávio Bolsonaro deixa o Brasil e mantém investigações no STF, diz Agência Brasil
Senador não entregou passaportes após ordem do STF; PF cancelou documentos, e PT pediu bloqueio de até R$ 6 bilhões, segundo Metrópoles.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil e foi para os Estados Unidos nesta terça-feira (27), segundo a Agência Brasil, que citou confirmação da Reuters sobre a possível fuga menos de 48 horas após a derrota dele na disputa presidencial. De acordo com o InfoMoney, a informação sobre a viagem foi relatada à Reuters por um aliado próximo do parlamentar e por uma fonte do governo norte-americano.
Na segunda-feira (26), segundo a Agência Brasil, Flávio foi proibido de deixar o Brasil e intimado pela Polícia Federal a entregar todos os passaportes em 24 horas. O prazo terminou na manhã desta terça, e os documentos não foram entregues; por isso, foram cancelados, segundo a Agência Brasil. O InfoMoney informou que a medida incluiu também o passaporte diplomático.
Viagem e versões sobre asilo
O InfoMoney informou, com base na Reuters, que ainda não estava claro qual seria o destino final de Flávio nos Estados Unidos, quando ele chegaria ao país ou se pretendia pedir asilo. Segundo a publicação, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A Reuters também não conseguiu confirmar quem acompanhou o senador na viagem, mas apurou que as duas filhas dele não foram à escola em Brasília nesta terça.
O Metrópoles informou que o investidor e ex-secretário de Turismo do México Simón Levy, descrito pela publicação como aliado de Donald Trump, afirmou que o governo Trump autorizou asilo político a Flávio Bolsonaro, mas não apresentou provas da concessão. A Agência Brasil também registrou que Levy publicou nas redes sociais que Flávio teria chegado aos Estados Unidos em uma articulação liderada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo o InfoMoney, Flávio havia publicado um vídeo nas redes sociais na segunda-feira dizendo que permaneceria no Brasil para se defender das acusações que enfrenta. Na gravação, de acordo com a publicação, ele afirmou que nunca havia pensado em sair do país, que entregaria os passaportes e que se defenderia da decisão, que classificou como tentativa de intimidação. O Metrópoles informou que, após ser intimado pela PF, Flávio foi a um escritório de advocacia em Brasília, onde recebeu aliados, entre eles Tarcísio.
Investigações no STF
Segundo a Agência Brasil, Flávio continuará respondendo a dois procedimentos criminais no Supremo Tribunal Federal por ter foro privilegiado. Um deles envolve a investigação do advogado Willer Tomaz, acusado de lavagem de dinheiro em negócios relacionados a bets. De acordo com a Agência Brasil, o nome do senador foi citado por uma secretária de Willer, que teria informado ao advogado sobre o cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, e investigada pela PF.
A Agência Brasil informou ainda que, na semana passada, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Willer Tomaz. As medidas ocorreram após a PF descobrir que o advogado viajou para Miami depois de ser alvo, em agosto, de busca e apreensão na Operação Sem Desconto, que apura descontos ilegais em aposentadorias, segundo a Agência Brasil. Willer e Flávio negam irregularidades, conforme o InfoMoney.
O segundo inquérito citado pela Agência Brasil apura pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a Agência Brasil, o caso veio a público após o site The Intercept revelar que Flávio pediu dinheiro a Vorcaro para financiar as gravações. Após a divulgação de uma conversa ocorrida em novembro do ano passado, Flávio negou ter combinado vantagem indevida e disse que os recursos eram privados, segundo a Agência Brasil. Ele foi incluído no inquérito em julho deste ano.
Reações e próximos passos
O Metrópoles informou que deputados do PT acionaram o STF e pediram o bloqueio de até R$ 6 bilhões de Flávio Bolsonaro depois que o senador descumpriu a ordem de entregar os passaportes. A publicação também informou que a saída do país não provoca perda automática do mandato, mas faltas injustificadas e quebra de decoro podem levar a punições no Senado. Segundo a Agência Brasil, apesar de não ter sido eleito presidente, Flávio manterá o mandato de senador até 1º de fevereiro, e a tendência é que as investigações continuem no Supremo após o fim do mandato, conforme a jurisprudência atual da Corte para casos ligados à função pública.





