Justiça italiana adia para 24 de novembro análise da extradição de Zambelli
Corte de Apelação de Roma atendeu pedido da defesa para analisar documentos sobre prisão e assistência médica no Brasil.

A Justiça italiana adiou para 24 de novembro a análise do pedido de extradição da deputada cassada Carla Zambelli para o Brasil, segundo a Agência Brasil, o G1 e o Poder360. A audiência estava marcada para esta terça-feira (27), na Corte de Apelação de Roma, e trata do processo relacionado à condenação dela por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, segundo as fontes.
Segundo a Agência Brasil, a Corte de Apelação de Roma aceitou um pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia. Segundo o Poder360, a defesa pediu mais tempo para avaliar informações sobre as condições de detenção e a assistência médica que Zambelli receberia no local.
Debate sobre documentos
Segundo o G1, a audiência estava prevista para as 11h30 no horário local, 7h30 em Brasília, e analisaria dúvidas dos juízes sobre as condições carcerárias no Brasil. Entre os pontos citados pelo G1 está a garantia de assistência médica para tratar doenças que Zambelli afirma ter. O portal informou que a ex-deputada alega fibromialgia e desmaios.
Segundo o Poder360, a sessão foi encerrada cerca de 20 minutos após o início pela juíza Cristina Capranica, presidente da 1ª Seção Penal da Corte de Apelação de Roma. O portal informou que o Ministério Público italiano avaliou que os documentos enviados pelo Brasil respondiam às questões levantadas pela Justiça. Enrico Giarda, advogado da AGU que representa o país no processo, disse, segundo o Poder360, que os dados foram fornecidos por via diplomática.
Segundo a Agência Brasil, o advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, afirmou que o julgamento não poderia ocorrer sem acesso à documentação enviada pelo Brasil, pois isso impediria a defesa de discutir as garantias de saúde da ex-deputada. Em nota citada pela Agência Brasil, o defensor mencionou a necessidade de “ampla defesa e contraditório” e afirmou que a extradição seria como “entregá-la à morte”. Segundo o Poder360, Zambelli não compareceu à sessão, e um de seus advogados disse tê-la aconselhado a não ir ao tribunal para evitar um possível mal-estar; a presença dela não era obrigatória.
Contexto no Brasil
Segundo a Agência Brasil, Zambelli foi condenada em 2025 pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 10 anos de prisão por invasão de sistema informático e falsidade ideológica. A agência informou que ela foi considerada culpada por comandar uma invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, em 2022, com o objetivo de inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes; de acordo com a condenação citada pela Agência Brasil, a motivação era desmoralizar o Judiciário antes das eleições presidenciais.
Ainda em 2025, segundo a Agência Brasil, Zambelli foi novamente condenada pelo STF, desta vez a 5 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial semiaberto, por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. Segundo a Agência Brasil e o Poder360, o caso envolve a perseguição a um jornalista pelas ruas de São Paulo, com uma arma, pouco antes do segundo turno das eleições de 2022. O G1 informou que, se a extradição for autorizada, ela poderá ser enviada ao Brasil para cumprir pena nesse caso.
Segundo o G1 e o Poder360, em julho a Justiça italiana anulou a decisão que autorizava a extradição e determinou uma nova análise do pedido brasileiro. As fontes informaram que os magistrados rejeitaram a alegação de perseguição política apresentada pela defesa, mas solicitaram informações adicionais sobre saúde, atendimento médico e condições no sistema prisional brasileiro. Segundo a Agência Brasil, em outro pedido de extradição, relacionado ao caso do CNJ, a autorização em primeira instância foi revertida pela Corte de Cassação italiana; na ocasião, os magistrados mencionaram o que seria falta de imparcialidade no julgamento no STF.
Segundo a Agência Brasil, após a primeira condenação e antes da expedição da ordem de cumprimento da pena, Zambelli usou passaporte europeu para viajar aos Estados Unidos e depois à Itália, onde pediu refúgio alegando perseguição política. A agência informou que ela chegou a ser presa em Roma a pedido do STF, por intermédio do governo brasileiro, e foi solta depois que o primeiro pedido de extradição foi negado em definitivo. Atualmente, segundo a Agência Brasil, ela aguarda em Roma o julgamento do segundo pedido, agora marcado para 24 de novembro.





