Eleição em Israel segue sem vencedor, e partidos negociam maioria no Knesset
Blocos de Netanyahu e Gadi Eisenkot não alcançaram 61 cadeiras, e partidos árabes podem ter resultado recorde, segundo fontes

As eleições em Israel continuavam sem vencedor declarado nesta quinta-feira (29), com a apuração ainda em andamento e sem que os blocos do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ou de seu principal rival, Gadi Eisenkot, tivessem alcançado maioria no Knesset, o Parlamento israelense. Segundo a Agência Brasil, são necessárias 61 cadeiras entre os 120 assentos para formar maioria. O The New York Times também informou que nenhum dos dois campos obteve maioria até o momento, mantendo ambos com alguma possibilidade de tentar formar governo.
Há divergência entre os dados parciais divulgados pelas fontes. Segundo a Agência Brasil, com 85% das urnas apuradas, a coligação de Netanyahu tinha 54 cadeiras, enquanto o bloco de Eisenkot somava 49. Já a BBC News informou que, com 93% dos votos contados, o Likud, partido de Netanyahu, e seus aliados estavam projetados para conquistar 53 assentos no Knesset. Em ambos os cenários, o bloco do primeiro-ministro ficava abaixo das 61 cadeiras necessárias para maioria.
Disputa por coalizões
Segundo a Agência Brasil, os partidos árabes poderiam chegar a 17 cadeiras, uma marca recorde. A fonte informou que esse resultado levou o líder da coligação de esquerda de maioria árabe a defender a formação de “uma verdadeira aliança” entre judeus e árabes. O The New York Times apontou que uma eventual aliança de oposição poderia incluir partidos árabes, mas também destacou obstáculos para esse arranjo.
A Agência Brasil informou que a maior parte da oposição judaica em Israel descartou governar ao lado de partidos liderados por palestinos. Segundo a agência, esses partidos foram alvo, durante a campanha, de acusações racistas, e Netanyahu retratou cidadãos palestinos como inimigos internos do Estado. Ainda de acordo com a Agência Brasil, o partido de Netanyahu acusou partidos de maioria árabe de terem “roubado” as eleições.
Alegações de interferência
O The Guardian informou que o Catar classificou como ridículas e perigosas as acusações de interferência nas eleições israelenses. Segundo o jornal, a alegação também foi rejeitada pela polícia israelense e por partidos de oposição. A Agência Brasil informou que o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, citou alegações sem provas de interferência estrangeira e pediu a prisão de líderes dos partidos de maioria árabe.
Segundo a Agência Brasil, a polícia israelense e o comitê central de eleições afirmaram que não há provas de fraude eleitoral. O The Guardian informou ainda que Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar e principal rival de Netanyahu, defendeu que todas as queixas sejam examinadas, mas advertiu contra o uso político das denúncias para afetar a data de posse do 26º Knesset.
Estabilidade em debate
Em entrevista à CNN Brasil, Samuel Feldberg, diretor acadêmico da StandWithUs Brasil, avaliou que um governo formado com apenas 61 cadeiras seria viável, mas muito frágil. Segundo Feldberg, uma margem mínima deixaria a administração vulnerável a dissidências internas. Ele afirmou à CNN que, para haver estabilidade em Israel, um governo precisaria de ao menos 65 ou 66 cadeiras.
Feldberg disse à CNN Brasil que o presidente israelense escolhe a quem entrega o mandato para formar uma coalizão, mas não tem instrumentos para obrigar partidos a negociar ou a compor governo. O especialista também afirmou que a oposição, incluindo partidos árabes, poderia tentar assumir a presidência do Parlamento e influenciar a pauta legislativa. Segundo a Agência Brasil, a contagem dos votos deve terminar na sexta-feira (30), e os resultados oficiais devem ser publicados formalmente em 4 de novembro.



