Israel vota em eleição que pode definir futuro de Netanyahu no governo
Cerca de 7 milhões de israelenses vão às urnas; resultado deve sair na quarta e formação de maioria pode levar mais tempo.

Cerca de 7 milhões de israelenses votam nesta terça-feira (27) em uma eleição parlamentar que pode retirar Benjamin Netanyahu do poder, segundo a Agência Brasil. É a primeira votação no país desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, informou a agência. Como a escolha é feita em cédulas de papel, o resultado só deve ser conhecido no fim de quarta-feira (28), segundo a Agência Brasil.
Disputa e formação de governo
Além de Netanyahu, do Likud, que soma 19 anos no poder, aparecem entre os favoritos Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e líder do Yashar, partido criado em 2025, e Naftali Bennett, do Juntos, que foi primeiro-ministro de 2021 a 2022, segundo a Agência Brasil. A DW Brasil informou que Eisenkot tem usado sua ascendência marroquina para buscar votos em redutos tradicionais do Likud.
O sistema político israelense é parlamentarista, e os partidos mais votados precisam formar maioria para compor o gabinete, informou a Agência Brasil. O Knesset tem 120 cadeiras. A BBC News Brasil afirmou que há temor de que nenhum dos principais blocos consiga cadeiras suficientes para formar maioria, o que pode abrir semanas ou meses de negociação política. A BBC News também destacou que a formação de um novo governo pode levar tempo.
Segundo a Agência Brasil, os três principais concorrentes rejeitam a criação de um Estado palestino e defendem o desarmamento do Hamas, mas divergem sobre a expansão de assentamentos na Cisjordânia. A professora Karina Stange Calandrin, do Ibmec de São Paulo, disse à Agência Brasil que os candidatos têm posições semelhantes em segurança e foram classificados por ela como “falcões”. O professor Michel Gherman, da UFRJ, afirmou à agência que Netanyahu se diferencia por defender uma reforma que concentraria poder no Executivo e reduziria a autonomia do Judiciário.
Cisjordânia e Gaza no centro da pauta
A CNN Brasil informou que soldados israelenses dispararam uma granada de efeito moral nesta terça para dispersar palestinos em protesto contra uma operação militar em Hebron, na Cisjordânia ocupada por Israel. Segundo a CNN Brasil, a ONU informou na segunda-feira que mais de 3 mil palestinos foram obrigados a deixar suas casas por causa da operação. O governo israelense diz que a ação responde ao ataque que matou dois soldados israelenses na sexta-feira, segundo a CNN Brasil.
Ainda segundo a CNN Brasil, autoridades palestinas acusaram Netanyahu de iniciar uma repressão na Cisjordânia durante a votação para mobilizar apoiadores de direita, enquanto o governo afirma que a operação é uma resposta ao ataque contra soldados. As Forças Armadas israelenses disseram, segundo a CNN Brasil, que fariam demolições na região e que não encontraram armas durante buscas em casas. A CNN informou também que Israel bloqueou entradas da maioria das cidades e localidades palestinas na Cisjordânia, restringindo a circulação.
A Agência Brasil informou que, após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, que causou a morte de 1,2 mil pessoas, segundo a agência, cerca de 200 reféns foram feitos. Israel lançou uma operação militar em Gaza que destruiu quase toda a infraestrutura civil do território e levou à morte de mais de 75 mil pessoas, segundo a Agência Brasil. A agência informou que a operação vem sendo apontada por países e especialistas como genocídio, e que ministros do governo Netanyahu defendem a emigração de palestinos e a colonização israelense do território.
Pressão externa
O InfoMoney informou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu votos para Netanyahu duas vezes, em 18 de outubro e no domingo (25), e associou a reeleição do premiê à retomada da guerra contra o Irã. Segundo o InfoMoney, Eisenkot evitou confronto com Trump, chamou o presidente americano de amigo de Israel, mas afirmou que a decisão cabe aos cidadãos israelenses. O veículo também informou que Jordânia e Egito rejeitaram políticas israelenses que possam forçar deslocamento de palestinos para seus territórios.

