Avião com Flávio Bolsonaro e família pousa em Miami após passagem pelo Equador
Senador chegou aos EUA após cruzar a fronteira com a Argentina e descumprir ordem do STF para entregar passaportes, segundo fontes.

O avião que transportava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sua esposa e as filhas do casal pousou em Miami, nos Estados Unidos, na manhã desta quarta-feira (28), segundo a Agência Brasil, o G1, a CNN Brasil e o Poder360. A Agência Brasil informou que a aeronave chegou pouco antes das 10h30, pelo horário de Brasília, ao aeroporto Opa-Locka; CNN Brasil e Poder360 registraram o pouso por volta das 10h25. Segundo o site Flight Aware, citado pela Agência Brasil, o trecho entre Guayaquil, no Equador, e Miami durou cerca de quatro horas.
Rota até os Estados Unidos
Segundo a Agência Brasil e a CNN Brasil, Flávio cruzou a fronteira do Brasil com a Argentina às 22h50 de terça-feira (27), pela Ponte Internacional Tancredo Neves, na província de Misiones. A Direção Nacional de Migrações da Argentina confirmou, segundo as fontes, que o senador estava acompanhado da esposa e das filhas e que o grupo apresentou documentação de viagem válida. O Poder360 informou, com base no órgão argentino, que a entrada ocorreu por Puerto Iguazú e sem impedimento legal.
Às 23h30, segundo a Agência Brasil e a CNN Brasil, a família embarcou em um voo privado rumo a Guayaquil. O Poder360 informou que o voo foi operado pela empresa Baires Fly S.A. e que a aeronave era um jato Gulfstream G400, de prefixo LV-JQW. De acordo com a CNN Brasil, o avião fez parada no Equador no início da manhã para abastecimento e, depois, seguiu para a Flórida. O G1 informou que a aeronave contornou o espaço aéreo brasileiro antes de seguir para os Estados Unidos.
O G1 afirmou que, até a última atualização de sua reportagem, não havia informação sobre o proprietário da aeronave e que Flávio Bolsonaro ainda não havia se manifestado após a chegada. Segundo o portal, o senador deixou o aeroporto com destino não informado. A CNN Brasil disse que imagens mostraram o pouso no Miami-Opa Locka Executive Airport.
Ordem do STF e investigação
A viagem ocorreu após Flávio Bolsonaro descumprir o prazo determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal, segundo a Agência Brasil. O Poder360 informou que a determinação envolvia os passaportes comum e diplomático e que o magistrado também havia proibido o senador de deixar o território brasileiro. A CNN Brasil afirmou que os passaportes foram cancelados depois que ele não os entregou no prazo.
Segundo a Agência Brasil, a decisão de Moraes foi tomada no âmbito de um inquérito em que Flávio Bolsonaro é investigado por lavagem de dinheiro junto com o advogado Willer Tomaz. O Poder360 também citou suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A Agência Brasil informou que ambos negam irregularidades. A CNN Brasil acrescentou que a decisão também proibiu contato entre os investigados.
Na segunda-feira (26), segundo a Agência Brasil, Flávio publicou um vídeo após ser intimado e negou que tivesse intenção de deixar o Brasil. Na gravação, de acordo com a fonte, disse que ficaria no país para organizar a oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo (26) ao derrotar o senador no segundo turno por mais de 4,4 milhões de votos. A CNN Brasil informou que Flávio disse ter sido abordado por agentes da Polícia Federal ao deixar a casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e que afirmou que entregaria os documentos.
Divergência sobre o paradeiro
Houve divergência nas informações sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro ao longo de terça-feira (27). Segundo o G1, veículos internacionais chegaram a noticiar que ele havia chegado aos Estados Unidos ainda na terça, mas o governo argentino informou depois que a saída rumo ao Equador ocorreu apenas na noite daquele dia. A CNN Brasil informou que o próprio governo argentino mudou de posição: inicialmente disse não ter registro de entrada do senador e, depois, a Direção Nacional de Migrações confirmou a passagem pela fronteira.
A CNN Brasil informou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na noite de terça-feira ter sido informado de que Flávio estaria na Argentina, sem saber seu paradeiro exato, e declarou que aprovaria a entrada da família no país. A CNN também informou, com base em dois funcionários do governo norte-americano, que vistos estavam sendo emitidos para o senador, a esposa e as duas filhas. Especialistas ouvidos pela CNN avaliaram que a saída do país pode ter consequências judiciais e políticas, incluindo eventual pedido de prisão preventiva e possível pedido de asilo político, mas essas medidas não foram informadas como adotadas até a publicação das fontes.





